
Amy Heckerling, fui consultar as cábulas internéticas, é a mesma realizadora que fez o ‘Olha quem Fala’ e o ‘Olha quem Fala Agora’. Lembram-se disso? Era giro, não era?
Ai, os problemas das mulheres maduras em andarem com jovenzinhos todos lindos… O star-system e as injustiças da televisão… A entrada na adolescência de rapariguinhas seguras de si… Cá para mim, não foi por falta de assuntos interessantes que o filme ficou um bocado ao lado. Deve ter sido por excesso.
Antes de destruir sem piedade um filme que já foi destruído por todos os críticos de cinema a sério deste país (o que me obrigou a pensar se não estarei a descair para o lado mau da Força), vou falar assim como quem não quer a coisa da tradução do título para português: ‘Nem Contigo nem Sem Ti’. Ora bem, para quem não sabe a tradução do título foi feita através de um concurso que a Lusomundo promoveu. Reparem bem: eles fizeram um concurso para um coitado ou coitada qualquer que nunca viu o filme traduzir o título. Porquê, pergunto eu? Desistiram de fazer seja o que for, incluindo traduzir títulos? Já põem a legendagem a cargo de programas informáticos – quando me lembro do ‘Dália Negra’ até me arrepio – mas que raio?
Ok, chega de cortar na empresa que um dia terei todo o prazer de destruir e vender aos pedacinhos. Vamos falar do filme. Como já referi, a abundância de assuntos exploráveis na trama fez com que nada fosse aprofundado. E mesmo em termos de progressão dramática – e puxo do mérito de ter já lido dois livros sobre o assunto – nem o dilema é bem explorado. Porque ninguém questiona o facto de ela andar com um rapaz mais novo. Estranhamente, ninguém questiona o facto de ela estar a ajudar esse mesmo rapaz mais novo a progredir na carreira. E quando ela acaba a relação, na cena seguinte está já no sofá debaixo dele.
Mesmo assim, para quem não tem mais ambições do que ver um romancezeco de matiné de sábado à tarde, até que entretém. Mas eu consigo entreter-me durante horas a olhar para o tecto e a pensar no quão horrenda e disforme sou, por isso não sei se o mero entretenimento pode justificar o tempo gasto a ver este filme, tempo esse que poderia ser muito melhor empregue a invadir a Polónia ou a perder a cabeça e entregar-se a um capitalismo desenfreado num qualquer centro comercial.
E quase não falei no filme. Também não sei que falar. Há algumas cenas boas – gosto especialmente do momento inoportuno em que a mãe dele lhe telefona, e as cenas com a filha são quase geniais – mas em contrapartida, não tenho bem a certeza daquela tipa gorda e imaginária, ambientalista extrema que prega morais em que ninguém acredita. E o genérico inicial, se bem que nojento e visceral, pareceu-me um pouco gratuito, já que não teve desenvolvimentos posteriores.
Por isso, ná.
3 comentários:
"Lado Negro da Força", assim está correcto. Vamos lá a ter as referênciazinhas em condições...
agora é que reparo, feito estúpido, que o cartaz que tens a ilustrar tão certeira crítica, está escrito no que me parece ser uma variante do alfabeto círilico... Presumo que a tentar passar a mensagem de como é cada vez mais difícil passar a mensagem para os espectadores ou, como é cada vez menos relevante o que está escrito no cartaz, desde que tenha caras bonitas... e como a michelle (ainda) é bonita...
Como me compreendes, meu caro assistente de produção... ;)
(e sabes perfeitamente que sou das poucas pessoas do mundo que nunca viu o 'Star Wars'... )
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